PENSAMENTOS

Segunda-feira, Janeiro 04, 2010

medo

O medo de ser eu…. O medo de decidir livremente por mim… o medo de ser escolha e não escolher… o medo de viver… o medo de não viver… o medo de me fazer ouvir… o medo de ser descoberto o meu medo… o medo de falar… o medo de me ouvir… o medo de ter voz… o medo de dar… o medo de sentir... sentir o medo de só pensar… o medo de não esquecer... não esqueço!! O medo de ser esquecida… o medo de ser abandonada… o medo de sofrer… o medo de ser feliz… o medo de sonhar… o medo o medo o medo……


sempre o medo……

eu sou o medo

Não esqueço....

Todos os dias….
Todos os dias sinto a nostalgia do passado! Não é o coração que me fere, é a mente que sai confusa e perdida. Vagueio metodicamente em momentos espontâneos que me assolam a memória e por lá fico a fazer matemática dos sentimentos. Perco-me num sorriso, numa palavra, numa brisa… nostalgia, assim lhe chamam!
Choro, encho o peito, movo o pescoço, mas para onde quer que vá, as recordações vão comigo… Não esqueço! Os pensamentos latejam na minha cabeça. Imóvel, meu corpo fixo nesta cadeira, enquanto o mundo continua à minha volta, enquanto a chuva molha a minha gabardine, o vento despenteia o meu cabelo, as pessoas serpenteiam as poças de água e os carros fogem para o seu destino,

eu,

estou longe.
 Penso!
Olho-me, olho-te no passado, projecto-me no futuro, arquitecto sonhos que me frustram por serem só isso….
Sonhos!

E o agora?
E o presente?
E a chuva que devia estar a sacudir da gabardine?
O cabelo que devia estar a segurar?
A poça que devia estar a serpentear?
O carro que devia olhar?

Tudo isso perdi… Perdi porque não esqueço… porque sonho… porque não vivo… nem vivi!


Consultem:
http://pt.wikipedia.org/wiki/United_States_of_Tara
http://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_dissociativo_de_identidade






Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Só eu conheço!

O teu sorriso puxa o meu!
Quando se rasga e ocupa todo o teu rosto,
quando transforma os teus olhos em ternura,
a tua voz em doçura,
também o meu te copia.
O teu sorriso ocupa o meu dia.
Surge disparado perante mim,
surpreende-me,
sozinha,
a esboçar o meu.
O teu,
sincero, desarma-me!
Retira-me todas as defesas,
invade-me!
Quase que me esqueço que não preciso delas.
O teu sorriso,
o sorriso do teu olhar….
Vou para sempre amar!


Ouvir:
http://www.youtube.com/watch?v=fD66A1_FVb8&feature=fvst

Luta

As palavras… o meu desejo seria destruí-las! Elimina-las! O meu mundo seria mais vivo sem palavras! Elas transformam, obrigam-nos a expressar, a declamar sentimentos. Criam mundos ao serem ditas, transportam-se para a realidade.


As palavras! Só quando despejadas sossegam. Fervilham no nosso interior, dramatizam pensamentos, esmagam-nos com a sua intensidade. São tortura, as palavras! São caprichosas, também! Por vezes trancam-se e não deixam falar o coração. Recusam-se a sair, escondem-se em gestos repetitivos, desesperantes. Como as odeio! Como as amo!

As palavras que tudo dizem, que tudo podem, nada conseguem, nada conquistam se trancadas, se reclusas de pensamentos obsessivos. Guardam-nas dependentes da sua compulsão. Não valem nada quando escondidas! São tudo quando libertas! As palavras são tudo e não valem nada! Luto todos os dias contra elas e por elas!

Consultar:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_obsessivo-compulsivo

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

O que foi que aconteceu


O teu cheiro. O cheiro doce do teu amor. Cada poro do meu corpo respirava o teu suave perfume. Um aroma amoroso que arrepiava a minha existência. Fecho os olhos e inspiro profundamente. A tua imagem invade a minha mente, ilude os meus sentidos. Sinto que estás presente, que consigo respirar-te, sinto o teu cheiro a penetrar as minhas narinas, a percorrer de saudade todo o meu corpo. De repente, existes de novo, o teu toque torna-se real, os teus braços envolvem meu corpo miúdo e os nossos corações batem, em reminiscência, ao mesmo ritmo. Um arrepio de prazer e de satisfação quase sufocante, apodera-se de mim. És tão real!

No segundo seguinte abro os olhos; já tu não existes! Resta uma leve brisa que regressa insistentemente - como uma teimosa onda do mar - todos os dias, horas, minutos, segundos. Ocupa os meus sentidos, desperta a minha imaginação e tortura-me de saudade!


Oiçam:
http://www.youtube.com/watch?v=XO9tw-DAArU&feature=PlayList&p=7D416094C2B15890&playnext=1&playnext_from=PL&index=28

Uma viagem


Um dia pelo mundo navegou um sonho: conquistar todos os Homens pela felicidade. O Sonho viajou. Em cada canto em que atracava, permanecia indefinidamente; penetrava todas as noites na mente de um sonhador. O Sonho ganhava fama e merecia respeito.


De porto em porto e de mente em mente conquistou confiança. Porém, passadas muitas viagens e repetições intermináveis dos seus ensinamentos, o Sonho foi mudando. Também o Homem exercia nele alguma influência. Aos poucos já não pretendia conquistar os Homens através da felicidade, mas sim mostrar-lhes a sua própria infelicidade.

O Sonho que outrora navegou o mundo com um desejo simples, tornou-se pesadelo. Retirou-se! Dificilmente sairá da escuridão. Será agora e para sempre um sonho transformado. Nulo!

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

Sons e elementos


Só, silenciosamente só. Vivo apenas com o ruído ensurdecedor dos meus pensamentos e com a dor dos sentimentos a latejar nas minhas veias. São ruídos dolorosos, ninguém os escuta, são só meus. Vivo uma vida ambivalente, por um lado a ânsia demolidora de amar loucamente, sem medos, nem barreiras, a ânsia de viver intensamente o amor. Por outro lado, a exaustão do medo, a incapacidade de uma entrega total, um peso nos ombros de uma história de vida sofrida.


Só, silenciosamente só. O coração bate irregularmente, cada batida é um movimento violento e desesperado para ser arrancado de dentro de mim. Cada bater assemelha-se a um abanão que fustiga o meu corpo de dor e o meu pensamento de sofrimento. Aos poucos, tanto um como outro, serão pedra e o coração, esse, jamais terá poder!


Só, silenciosamente só. Como o vento, a chuva, o sol destroem os mais poderosos fortes contruídos pelo homem, ou os maiores e mais robustos penhascos criados pela natureza, também a vida vai desmantelando o meu ser com as suas trapaças. São peças de um puzzle que se perdem, perderam e outras que se perderão. Restaram os pedaços mais resistentes, mais duros, mas que mais sofreram.


Só, silenciosamente só, abandonada ao ruídos intrangigentes do meu sofrimento.
Oiçam, duas versões diferentes:

Terça-feira, Agosto 11, 2009

Não sentir... não ser!


A dor de um amor fracassado é avassaladora. Destroí-nos por dentro e obriga-nos a fechar-nos para o mundo e a enterrar-nos numa concha protectora. É aterrador darmo-nos ao outro da forma mais amorosa que sabemos e recuar por a maneira de cada um amar ser diferente e incompatível.
Frusta-me não conseguir abrir os braços, libertar todos os sentimentos que mantenho em reclusam e abraçar com toda a emoção o que amo.
Frusta-me ser tão retraída, ter medo de amar, afastar tão vilmente quem deveria aproximar, acarinhar e amar. Privo-me de viver plenamente por recear sentir. Continuo a rejeitar uma parte importante de mim.
Perfiro morrer de medo, do que morrer de amor... Assim não vivo de todo!

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Terça-feira, Setembro 16, 2008

Existência Paradoxal


O fim.
Todos os dias encaro esta realidade.
O meu fim reside na indiferença dos outros perante mim, embora seja vontade minha ser ÚNICA.
O meu fim, paradoxalmente, é querer matar todos os outros, mas ambicionar e necessitar ser amada pelos mesmos.
O meu fim reside no princípio de que só serei una com o mundo.
Odeio o invólucro em que me encerrei. É a minha protecção e o muro que me desagrega do resto.

A existência é relativa. É a filosofia que ocupa os isolados. Quem existe apenas em si, na mente solitária e povoada de vozes, está liquidado para a vida - aquela que conhecemos como real e diária – existe apenas para e/ou no inconsciente - que será o denominado «imaginário» pelos quotidianos.

Duas realidades distintas. Quantas mais existirão?!

Não há existência na forma consistente a que nos referimos. Há indivíduos/Eu’s que multiplicam e/ou reinventam criativamente a sua existência e influenciam e/ou unem o imaginário colectivo.

Coabito na minha existência individual – mentalmente multiplicada em vários Eu’s – juntamente com a minha existência colectiva – que me obriga a ser um só Eu.

Luto pela saga de manter o equilíbrio que a sociedade exige, embora ampute a verdadeira existência, que é relativa, egoísta, solitária, desprendida, assassina de mim e dos outros.

Vivo a existência paradoxal do ser que é, mas não é.
Do ser filosófico e poético, ao ser primitivo e animal. Embora evidentemente divergentes, dificilmente se apartam.

Vou começando a ver o mundo só com dois olhos!

Domingo, Março 09, 2008

Tinta que sou


Quantas palavras escritas?
Quantas folhas preenchidas?
Quantos cadernos gastos
Com a confusão de pensamentos
que saem-me pela mão?

Urge vomitar tudo o que sinto.
uma explosão de emoções.

Receio escavar bem lá no fundo.

Trago o peso do mundo a ferir-me o peito,
rebentá-lo seria o fim.

Sinto o pânico a apoderar-se de mim.
Ousei pincelar a folha
com um pouco da tinta que sou.

Rasguei um bocado do que guardo
esfreguei aos olhos do mundo,
agora enlouqueço!
Despertei sentimentos,
arde-me a mente
pois surgem gemendo.

O MAR


Às vezes quando fecho os olhos,
vejo o mar.
Sou capaz de vê-lo mergulhar na areia,
engoli-la num trago.

Ouço o som…
Ouço o som da areia a derreter
no estômago da onda,
enquanto os salpicos de mar bravio
oferecem-me aromas inconfundíveis
que perfumam o ar.

Fecho os olhos e fico ali
estática!
Imagino-me a abraçar o mar.

Quero roubá-lo,
levá-lo comigo numa caixinha,
matar a dor de viver longe dele.

Hoje fecho os olhos, vejo:
O sol admira-se no reflexo do mar,
ilumina as ondas
levando-as até à costa.
ao fundo a linha infinita do horizonte
delimita o seu território.

Tão grande,
cabe na minha imaginação.
Oh mar salgado,
temperas com vida
o meu coração apertado
que vive longe da tua rebentação.